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biblioteca·12 de julho de 2026

Grandes Mestres: Roger Bastide, o sociólogo que levou o Candomblé à universidade

Série Grandes Mestres da Cultura Afro-Brasileira: Roger Bastide (1898–1974), o francês que da cátedra da USP olhou para o Candomblé com rigor científico e sensibilidade, tornando-o objeto legítimo de estudo acadêmico.

Série "Grandes Mestres da Cultura Afro-Brasileira"

Nesta série, apresentamos os pesquisadores e sacerdotes sobre cuja obra este blog se apoia. Depois de Pierre Verger, chega a vez de outro francês que fez história no Brasil — mas por um caminho diferente: o da universidade.

Quem foi Roger Bastide

Roger Bastide nasceu na França em 1898 e morreu em 1974. Chegou ao Brasil em 1938 para ocupar a cátedra de Sociologia na Universidade de São Paulo (USP) — posição que herdou de ninguém menos que Claude Lévi-Strauss. Permaneceu como professor da USP até 1957, e sua influência sobre a formação intelectual brasileira foi imensa: entre seus alunos estiveram nomes como Antonio Candido, Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso.

O olhar que uniu ciência e sensibilidade

O que torna Bastide especial não é apenas o rigor: é a combinação de rigor científico com sensibilidade para o que estudava. Num tempo em que as religiões de matriz africana eram tratadas com preconceito ou como "folclore", ele as encarou como objeto legítimo e sofisticado de estudo sociológico, respeitando suas leis e sua lógica interna.

Sua obra-prima sobre o tema, O Candomblé da Bahia — que apresentamos na resenha comentada —, foi defendida em 1957 como tese na Sorbonne, ao lado de As religiões africanas no Brasil. Nesses trabalhos, Bastide descreveu a estrutura, os símbolos e a dimensão sensível do Candomblé com uma seriedade que ajudou a mudar o lugar dessas tradições no debate público e acadêmico.

Por que ele importa para o fundamento

Bastide é um marco porque legitimou academicamente o estudo das religiões afro-brasileiras. Ao levá-las para a cátedra da USP com respeito e método, abriu caminho para gerações de pesquisadores. É parte da corrente que discutimos em por que estudar história fortalece a espiritualidade: a pesquisa séria como aliada da dignidade da tradição.

Vale a ressalva metodológica: como todo pesquisador, Bastide é fonte de interpretação acadêmica — leituras que dialogam e às vezes divergem de outras. Seu valor não está em ter "a palavra final", mas em ter aberto a porta com rigor e respeito.

Conclusão

Roger Bastide provou que era possível estudar o Candomblé com o mesmo rigor de qualquer objeto científico — sem reduzi-lo, sem folclorizá-lo, sem preconceito. Ao fazê-lo da cátedra da USP, deu às tradições afro-brasileiras um lugar de dignidade no pensamento brasileiro. É um dos grandes responsáveis por transformar respeito em conhecimento.

Bibliografia e fontes

  • BASTIDE, Roger. O Candomblé da Bahia — ver resenha comentada.
  • BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil (tese, Sorbonne, 1957).
  • Sociedade Brasileira de Sociologia; Revista de Antropologia (USP), verbetes e estudos sobre Roger Bastide.

Nota metodológica: os dados biográficos (datas, cátedra na USP, tese na Sorbonne, obras) foram conferidos em fontes públicas. As teses de Bastide são interpretação acadêmica, distinta de fato histórico e de tradição oral.

Veja também: resenha de O Candomblé da Bahia, Grandes Mestres: Pierre Verger e a Biblioteca Comentada.

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