Grandes Mestres: Luis Nicolau Parés e a formação histórica do Candomblé
Série Grandes Mestres da Cultura Afro-Brasileira: Luis Nicolau Parés, historiador e antropólogo nascido em Barcelona e radicado na Bahia, autor de A Formação do Candomblé, referência sobre como essa religião se constituiu historicamente.
Série "Grandes Mestres da Cultura Afro-Brasileira"
Continuando a série sobre as referências que fundamentam este blog, chegamos a um pesquisador contemporâneo cujo trabalho ajudou a responder a uma pergunta difícil: como, historicamente, o Candomblé se formou?
Quem é Luis Nicolau Parés
Luis Nicolau Parés nasceu em Barcelona, em 1960. É antropólogo e historiador, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Formou-se em Filologia Inglesa pela Universidade de Barcelona e doutorou-se em Antropologia da Religião pela Universidade de Londres (1997), com tese sobre o Tambor de Mina, tradição de matriz africana do Maranhão.
Radicado na Bahia, dedicou sua pesquisa à história e à antropologia das religiões afro-brasileiras e africanas, às conexões atlânticas, ao tráfico de escravizados e à formação das etnias africanas no Brasil.
A Formação do Candomblé: história, não lenda
Sua obra mais conhecida no tema, A Formação do Candomblé (Editora da Unicamp, 2006) — que apresentamos na resenha comentada —, é um estudo histórico rigoroso sobre como o Candomblé, especialmente na sua vertente jeje (de matriz fon/ewe, do antigo Daomé), se constituiu ao longo do tempo.
O mérito de Parés é tratar a formação da religião como processo histórico documentado, e não como origem mítica ou lenda fundadora. Ele mostra como práticas, identidades e instituições religiosas foram se organizando concretamente na Bahia — trabalho que dialoga diretamente com o que discutimos em como nasceu a religiosidade afro-brasileira. Parés também é autor de O Rei, o Pai e a Morte (Companhia das Letras, 2016).
Por que ele importa para o fundamento
Parés é essencial para quem quer entender o Candomblé historicamente — como ele se formou, em que condições, com quais influências. Num campo onde muitas "origens" são contadas de forma mítica, seu trabalho oferece chão documental. Isso não desencanta a tradição: ao contrário, mostra a criatividade e a resistência dos povos africanos que a construíram, como valorizamos em por que estudar história fortalece a espiritualidade.
Conclusão
Luis Nicolau Parés representa o melhor da pesquisa histórica sobre as religiões afro-brasileiras: rigor documental a serviço da compreensão, não do desencanto. A Formação do Candomblé é referência para quem quer saber não apenas o que a tradição é, mas como ela veio a ser — uma pergunta que só a boa história pode responder.
Bibliografia e fontes
- PARÉS, Luis Nicolau. A Formação do Candomblé (Editora da Unicamp, 2006) — ver resenha comentada.
- PARÉS, Luis Nicolau. O Rei, o Pai e a Morte (Companhia das Letras, 2016).
- UFBA — Programa de Pós-Graduação em História; Companhia das Letras (página do autor).
Nota metodológica: os dados biográficos (nascimento em Barcelona em 1960, UFBA, doutorado em Londres em 1997, obras) foram conferidos em fontes públicas. O trabalho de Parés é história documentada, distinta de tradição oral e de narrativa mítica de origem.
Veja também: resenha de A Formação do Candomblé, como nasceu a religiosidade afro-brasileira e a Biblioteca Comentada.
Laroyê, Exu · Reverência à tradição da Makumba Ancestral