Intolerância religiosa no Brasil — o que os dados mostram
Dados oficiais do Disque 100 mostram crescimento da intolerância religiosa no Brasil, atingindo desproporcionalmente Umbanda e Candomblé. Entenda o panorama com base em dados recentes.
Um problema que cresce, segundo dados oficiais
A intolerância religiosa não é uma percepção subjetiva — é um fenômeno mensurado por canais oficiais de denúncia, e os números mais recentes mostram uma tendência preocupante de crescimento.
Os números do Disque 100
Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, entre 2023 e 2024 as denúncias de intolerância religiosa no Disque 100 cresceram 66,8%, saltando de 1.481 para 2.472 registros. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, foram 2.774 denúncias registradas.
Quem é mais atingido
Os dados são claros: as religiões de matriz africana são desproporcionalmente as mais atingidas. Em 2024, a Umbanda apareceu em primeiro lugar entre as mais atacadas, com 151 denúncias, seguida pelo Candomblé, com 117. Outras religiosidades afro-brasileiras somaram mais 21 denúncias na mesma ouvidoria.
O perfil das vítimas
A maioria das vítimas de discriminação religiosa registradas são mulheres (1.423 dos casos) — um dado que dialoga com o papel historicamente central de mulheres como sacerdotisas (ialorixás) dentro das tradições afro-brasileiras.
Onde a intolerância mais acontece
Os estados com maior número de denúncias são São Paulo (618), Rio de Janeiro (499), Minas Gerais (205), Bahia (175) e Rio Grande do Sul (159), além do Distrito Federal (100) — um padrão que atravessa diferentes regiões do país, não um problema localizado.
O que esses números revelam
Mesmo com a proteção constitucional detalhada em direitos constitucionais das religiões de matriz africana, os dados mostram que a discriminação religiosa contra tradições afro-brasileiras segue crescendo — reforçando que a existência da lei, por si só, não é suficiente para proteger praticantes na prática cotidiana.
Perguntas Frequentes
Onde denunciar um caso de intolerância religiosa? O canal oficial nacional é o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania — gratuito e disponível para qualquer cidadão.
A intolerância religiosa afeta só praticantes de Umbanda e Candomblé? Esses dois são os mais afetados entre as religiões de matriz africana, mas o fenômeno também atinge outras minorias religiosas no Brasil.
Os números estão aumentando ou diminuindo? Segundo os dados mais recentes, aumentando — um crescimento de 66,8% registrado entre 2023 e 2024.
Bibliografia
- Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Dados do Disque 100 sobre intolerância religiosa (2024–2026). Disponível em gov.br/mdh.
- Agência Brasil. Intolerância religiosa: Disque 100 registra 2,4 mil casos em 2024.
Veja também: direitos constitucionais das religiões de matriz africana.
Laroyê, Exu · Reverência à tradição da Makumba Ancestral